quarta-feira, 9 de março de 2011

António da Mota

Quadras

Se Deus é bom e não mente
e ninguém lhe pede em vão,
porquê - meu Deus - tanta gente
a trabalhar sem ver pão?

"zé Ninguém"

Há, dentro do nosso ser,
uma lição modelar:
o coração a bater,
toda a vida a trabalhar.

"Migalha"

Trabalhar é investir
nossa valia e suor
na construção do porvir,
visando um mundo melhor.

"José de Albuquerque"

Muitos homens são formigas:
trabalham de noite e dia.
Outros, preferem cantigas,
discursos, demagogia.

"Tridente"

Trabalhar, se der prazer,
dá-nos a vida também,
pois, no fundo, é aprender
a ser homem, ser alguém.

"Triângulo"

Se alguém prefere a preguiça
pois trabalhar cansa e sua,
não é homem, é cortiça;
não nada, ou vive, flutua.

"Ventania"

O autor, António da Mota, utiliza para cada uma das quadras um pseudónimo diferente. O conjunto dos poemas de A.da M. a que tive acesso, numa biblioteca, estão dactilografados em folhas A4, algumas são fotocópia, cujas folhas foram empastadas e coladas, segundo percebo, como forma de não se separarem ou perderem-se. Dados do autor, desconheço em absoluto. Nalgumas dessas folhas há em cabeçalho VIII Jogos Forais Nacionais do Conselho da Moita". É possível que este cabeçalho explique a utilização de pseudónimos...

segunda-feira, 7 de março de 2011



A Né Ladeiras tem uma voz fabulosa - que pena não "aparecer" mais - e o tema do Fausto é igualmente fabuloso

domingo, 6 de março de 2011

sábado, 5 de março de 2011

sexta-feira, 4 de março de 2011

Francisco Miguel

Roçamos pelas estrelas

É amor fino perfume
água corrente a cantar
doce calor de algum lume
que não se sente queimar.

Meu amor, subi ao céu
no mais veloz avião
o céu azul será meu
porque é o céu da paixão.

Roçamos pelas estrelas
sempre com mais seguranças
é nessa luz que vem delas
que ponho minhas esperanças.

O sonho é parte de vida
porque a vida está no sonho
quando o amor é tamanho
é um amor sem medida.

Meu braço vai-te amparar
meu amor não cairás
sempre te vai procurar
quem por amor tudo faz.

quinta-feira, 3 de março de 2011

Francisco Miguel

A vontade é motor

A vontade quando é forte
nada há que lhe resista
à vontade só a morte
Se é vontade que persista.

A vontade é decisão
tudo pode conseguir
até a própria revolução
que é destruir-construir.

A vontade corajosa
a vida pode mudar
é uma vaga alterosa
que tudo pode afogar.

Do povo a forte vontade
se se liga à decisão
é a própria revolução
e com ela a liberdade.

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Francisco Miguel

Viva a reforma agrária

Nossa força é a razão
a nossa luz vai à frente
somos o rio da Revolução
da força da nossa mão
desta mão que é resistente.

A terra da nossa terra
deve estar em nossa mão
a justiça que isto encerra
é a paz e não a guerra
é a justa decisão.

Queremos mais instrução
a vida toda verdade
mais trabalho, paz e pão
nossa firme decisão
conquistar mais liberdade.

Com a terra em nossa mão
bem cultivada e regada
injustiça reparada
o país terá mais pão.

sábado, 26 de fevereiro de 2011

Francisco Miguel

O andar da vida

Neste viver, nesta vida
sempre seguindo p'ra morte
é a vida mais sentida
ao chocar com o mais forte.

Neste viver a viver
uma vida desgraçada
o fazer é desfazer
a vida mais escravizada.

Mundo novo, mundo velho
vai o povo p'ro vermelho
e o mundo p'ra revolução.

Um povo que sabe história
que medita e que trabalha
sabe que tem a vitória
numa última batalha.

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Ana Valadas/Pedro Mestre

Francisco Miguel

Navio da liberdade

Meu navio da liberdade
minha viagem de luz
vou a terra sem tufão
onde o navio me conduz.

Ó mar verde dos trigais
lindo prado, teu perfume
ó terra dos vendavais
de rosas da cor do lume.

Varre o vento o sentimento
nunca leva a saudade
não me sais do pensamento
meu navio da liberdade.