Por mim
Arranca de ti aquilo que te
queima.
Queima aquilo que te seca.
Mas...
deixa germinar o que
conserva.
Em A Mulher as flores o futuro
quinta-feira, 11 de abril de 2013
quarta-feira, 10 de abril de 2013
Rosa Maria Cruz
Tarde
Cai a tarde mansinha
quente e aflitiva,
cai sobre a aldeia branca e
pequenina,
envolvendo numa bruma
silenciosa, calma e doce!
Cai ao de leve com uma suave
brisa
que empurra brincando
os frouxos ramos,
e nos traz o seu fresco aroma.
Ouve~se um melodioso som
cortando a quietude e o silêncio,
ouve-se ao longe, vago, cada vez
mais vago
vago, sim!
Como o ondular das searas
douradas pelo sol
pelo sol que se vai escondendo
demoradamente, silenciosamente!...
Pelo sol
que nos dá luz, vida
e cor!
Pelo sol, que nos deixa a noite
quente e, que à tarde nos abrasa
calorosamente.
Em A Mulher as flores o futuro
Cai a tarde mansinha
quente e aflitiva,
cai sobre a aldeia branca e
pequenina,
envolvendo numa bruma
silenciosa, calma e doce!
Cai ao de leve com uma suave
brisa
que empurra brincando
os frouxos ramos,
e nos traz o seu fresco aroma.
Ouve~se um melodioso som
cortando a quietude e o silêncio,
ouve-se ao longe, vago, cada vez
mais vago
vago, sim!
Como o ondular das searas
douradas pelo sol
pelo sol que se vai escondendo
demoradamente, silenciosamente!...
Pelo sol
que nos dá luz, vida
e cor!
Pelo sol, que nos deixa a noite
quente e, que à tarde nos abrasa
calorosamente.
Em A Mulher as flores o futuro
terça-feira, 9 de abril de 2013
Rosa Maria Cruz
"Sonhei"
Sonhei um dia...
Com um mundo lindo e justo
Em que a natureza era tudo,
Em que as árvores e o céu se tocavam
Num gesto espontâneo,
Em que o sol brilhava para todos,
E o céu se tingia de vermelho
Ao entardecer.
Em que o tapete verde
De esperança
Cobria a terra onde
Os Homens eram iguais.
Aí a paz era uma constante
Do dia a dia
E a guerra não existia!
Mas... sonhei apenas!...
Em A Mulher as flores o Fruto, editado pelo Grupo Cultural de S. Domingos
Sonhei um dia...
Com um mundo lindo e justo
Em que a natureza era tudo,
Em que as árvores e o céu se tocavam
Num gesto espontâneo,
Em que o sol brilhava para todos,
E o céu se tingia de vermelho
Ao entardecer.
Em que o tapete verde
De esperança
Cobria a terra onde
Os Homens eram iguais.
Aí a paz era uma constante
Do dia a dia
E a guerra não existia!
Mas... sonhei apenas!...
Em A Mulher as flores o Fruto, editado pelo Grupo Cultural de S. Domingos
sábado, 6 de abril de 2013
Cecília Meireles
Minha canção não foi bela,
minha canção foi só triste.
Mas eu sei que não existe
mais canção igual àquela.
Não há gemido nem grito
pungente como a serena
expressão da doce pena.
E por um tempo infinito
repartiria o meu canto
- saudosa de sofrer tanto.
terça-feira, 2 de abril de 2013
Francisco Miguel
Tens um feitio de arradia
às vezes de mau humor
és como aquela que via
mais de noite que de dia
e contudo tinha amor
És uma contradição
muito bem politizada,
mas tens um bom coração
dizes sim ou dizes não
mais ou menos irritada.
(Versos dedicados à Ana Benedita)
às vezes de mau humor
és como aquela que via
mais de noite que de dia
e contudo tinha amor
És uma contradição
muito bem politizada,
mas tens um bom coração
dizes sim ou dizes não
mais ou menos irritada.
(Versos dedicados à Ana Benedita)
domingo, 31 de março de 2013
Zé Mota
Às vezes rija e dura
Sempre sensível e humana
Mesmo azeda tens ternura
Todos te chamam a Ana
És árvore que não abana
És como as côdeas do pão
Ásperas, duras mas gostosas
Também há picos nas rosas
Também há pedras no chão
Abres sempre o coração
Ao trabalho e ao cansaço
Não tens filhos no regaço
Mas sentes as dores alheias
Na seara que semeias
O seu fruto não engana
Se te perguntam quem és
Respondes: Eu sou a Ana.
Sempre sensível e humana
Mesmo azeda tens ternura
Todos te chamam a Ana
És árvore que não abana
És como as côdeas do pão
Ásperas, duras mas gostosas
Também há picos nas rosas
Também há pedras no chão
Abres sempre o coração
Ao trabalho e ao cansaço
Não tens filhos no regaço
Mas sentes as dores alheias
Na seara que semeias
O seu fruto não engana
Se te perguntam quem és
Respondes: Eu sou a Ana.
O autor é o José Machado Moreira Rita, tratado por Zé Mota, Nome que durante anos eu tive por seu, verdadeiro. Afinal era o seu nome de guerra! Escreveu este poema que dedicou à Ana Benedita, sua amiga e camarada de luta. Conheci o saudoso Zé Mota e conversamos muitas vezes. Conheço a Ana Benedita que, apesar de termos estado nas mesmas salas, nos mesmos eventos, vezes sem conta, nunca surgiu ocasião para trocarmos qualquer palavra. Do que presenciei da Ana, do que dela dizia, com ternura, a Conceição Morais, ler este poema do Rita, é identificar sem sombra de dúvida a personalidade da homenageada, a quem felicito pelo testemunho que nos oferece com as suas Vivências.
quinta-feira, 28 de março de 2013
Francisco Miguel
Tens sangue de camponesa
Coração puro e isento
Falas sempre com franqueza
Apesar da tua aspereza
Tens sempre bom sentimento.
Dedicado pelo autor a Ana Benedita Ramos Caro
Coração puro e isento
Falas sempre com franqueza
Apesar da tua aspereza
Tens sempre bom sentimento.
Dedicado pelo autor a Ana Benedita Ramos Caro
domingo, 17 de março de 2013
Martinho Ambrósio Ruivo
Doze anos namorei
Que se conte mais algum
Nova vida arranjei
Casei em sessenta e um.
Este é o mote de umas décimas escritas pelo senhor Martinho, de Évoramonte, nas quais descreve o seu casamento, aos 32 anos, com a senhora Aurélia Inácia Simões Saias.
quinta-feira, 7 de março de 2013
Fernando Pessoa
O manjerico comprado
Não é melhor que o que dão.
Põe o manjerico ao lado
E dá-me o teu coração.
Rosa verde, rosa verde...
Rosa verde é coisa que há?
É uma coisa que se perde
Quando a gente não está lá.
Andorinha que passaste,
Quem é que te esperaria?
Só quem te visse passar
E esperasse no outro dia.
sexta-feira, 1 de março de 2013
Grândola, Vila Morena
Grândola, vila morena
Terra da fraternidade
O povo é quem mais ordena
Dentro de ti, ó cidade
Dentro de ti, ó cidade
O povo é quem mais ordena
Terra da fraternidade
Grândola, vila morena
Em cada esquina um amigo
Em cada rosto igualdade
Grândola, vila morena
Terra da fraternidade
Terra da fraternidade
Grândola, vila morena
Em cada rosto igualdade
O povo é quem mais ordena
À sombra duma azinheira
Que já não sabia a idade
Jurei ter por companheira
Grândola a tua vontade
Terra da fraternidade
O povo é quem mais ordena
Dentro de ti, ó cidade
Dentro de ti, ó cidade
O povo é quem mais ordena
Terra da fraternidade
Grândola, vila morena
Em cada esquina um amigo
Em cada rosto igualdade
Grândola, vila morena
Terra da fraternidade
Terra da fraternidade
Grândola, vila morena
Em cada rosto igualdade
O povo é quem mais ordena
À sombra duma azinheira
Que já não sabia a idade
Jurei ter por companheira
Grândola a tua vontade
José Afonso
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