quarta-feira, 30 de março de 2011

Manuel Coelho

A noite do atraso

Numa longa noite de grande trovoada,
onde o escuro era opaco e imponente,
em escassos segundos se via somente,
um caminho, uma viela, uma estrada.

Lá quando a via era vista, visionada,
por um risco breve, efémero e tangente,
que dava esperança, enfim é gente,
de longe se via uma estrela iluminada.

Mas pura e enganosa essa falsa ilusão,
essa luz que nos abandonava e fugia
mais, anunciando sequer causas adiadas.

Interminável e terrível noite de escuridão,
que só o atraso e a crendice favorecia;
cinco ilustres não baniram quatro décadas

segunda-feira, 28 de março de 2011

Manuel Coelho

O Povo e a Reza

Todos os povos rezam e oram
devido às suas faltas e carência,
para atingirem a conveniência,
a todos os deuses imploram.

Os dirigentes também exploram.
A miséria, atraso e ignorância,
ficando para si com a abundância,
alguns até no estrangeiro moram.

Eles são sempre espectadores,
não se misturando com os crentes
estes são e serão sempre os actores.

Tiram partido de antigas sementes,
brincando com a fé dos amadores;
pisando sempre e só os inocentes.

domingo, 27 de março de 2011

Manuel Coelho

A nossa evolução

Os outros primatas não evoluíram,
porque não deixaram documentos,
nem legaram aos outros elementos
e os conhecimentos não transmitiram.

Outros, desde os Sumérios, essa falta sentiram,
por isso deixaram escritos e ensinamentos,
os mais sábios nos legaram pensamentos.
Os homens na longa caminhada prosseguiram.

O livro é sempre fonte de inspiração,
seja qual for o motivo, nos serve de lição
mesmo que não se goste devemos respeitar.

O trabalho que causou toda a procura,
recordemos, toda a sociedade tem censura;
Mas o autor, as barreiras deve contornar.

sábado, 26 de março de 2011

Manuel Coelho

Trabalhador

O rude braço que produz a mais valia
que tudo gera anima e transforma,
desde a rocha aos elementos dá forma,
as medalhas que recebe são aleivosias.

A recompensa é má e sempre tardia,
sem nome é desprezado como é norma,
empresas fantasmas lhe negam a reforma,
sem segurança e, contratos de fantasia.

Para lucros desenfreados e abusivo
não contam idades credos ou cores,
para esses amos abutres, todos servem.

Na Europa não há países comparativos,
aqui as leis do trabalho são as piores,
Mais, ano após ano mais se assumem.

Trovas e farpas é a brochura editada em 1999 pelo departamento de acção sócio-cultural/divisão de bibliotecas, da Câmara Municipal da Moita, com poemas de autoria de Manuel Coelho. A brochura é omissa em elementos identificadores do autor.

sexta-feira, 25 de março de 2011

Manuel Coelho

Memórias

Trago tantas lembranças de pequenino,
lembranças essas, que me torturam
elas não morrem nem se procuram,
ficaram bem gravadas, desde menino.

Vi casas sem sorte pelo mau destino,
viúvas de vivos loucas que se mataram,
gente que trabalhando se endividaram
povo escravo, humilde com dor e desatino.

Povo pobre e triste, do grande império,
para onde só iam políticos e desterrados
os senhores de bem, da monástica gente.

Povo de memória curta e sem critério
que ainda fala de heróis enterrados,
tudo isto na minha memória está presente.

quinta-feira, 24 de março de 2011

António da Mota

Bendito Sol

Bendito o Sol que germina
a semente que floresce,
que toda a Terra ilumina,
aconchega e aquece...

Se o homem se espelhasse
nesta lição da natureza
e somente praticasse
actos puros, de nobreza:

Todos os povos irmanados
em paz e cooperação...
todos os continentes integrados
pela força... pela fé... pela união

Talvez fosse possível a vida
sem miséria, sem doença...
poderia a fome ser vencida
pelo trabalho e persistência.

Deus não tem nacionalidade
a terra dele é o nosso"interior"
o seu lema é a verdade,
a fraternidade e o amor...

"Vinho Tinto"

quinta-feira, 17 de março de 2011

Atónio da Mota

Suor do rosto

Trabalho feito com gosto
tem uma outra medida:
até o suor do rosto
outro gosto põe na vida!

"Gosto"

Quadra popular

Meu refúgio e meu enlevo
meu pão e meu agasalho
é o trabalho, a quem devo
quanto tenho e quanto valho!

"Menina e moça"

Quadra

Ao trabalho dou a vida
mas quando chegar meu fim
é a vida agradecida
que fica a falar de mim!

"Marialva"

quarta-feira, 16 de março de 2011

António da Mota

Mineiro

Está sepultado em vida
a muitos metros de fundo,
na amarga e dura lida
sempre ausente do mundo.

É penoso o trabalho
da sua honesta profissão
com picareta e malho
trabalhando na escuridão.

Ele extrai Prata e Ouro
e ganha pouco dinheiro!...
sem riqueza nem tesouro
é sempre o pobre mineiro.

"Lucena"

segunda-feira, 14 de março de 2011

Solidadriedade com os japonoses

Aos visitantes do rimapontocom residentes no Japão (que presumo sejam portugueses) quero aqui prestar-lhes a minha solidariedade, e expressar o meu desejo de que nada lhe tenha acontecido, para além do susto e ansiedade provocados pelo violento terramoto ocorrido na passada semana. E estou torcendo para que as centrais nucleares não venham a provocar mais tragédia.

António da Mota

Abelha

Atarefada à procura
do mel e cera p'ro sustento,
e com a vida mal segura
pela chuva e pelo vento.

O seu trabalho é enorme
na colmeia onde mora,
ninguém sabe se ela dorme
ou se trabalha toda a hora.

Depois do mel e cera feito,
o homem vai lá directo
e chama a seu proveito
o trabalho do insecto.

"Lucena"