Pescador do alto mar
Pescador do alto mar
Que pretendes tu buscar
Que abandonas o teu lar?
Não vês que a última aresta
Que teu sentir manifesta
É divindade que resta?
Já lá rompe a lua cheia
Ouço o cantar da sereia
Trazes o pão que granjeia
Quantos tormentos passaste,
A quantos deuses rogaste
Mas de voga já voltaste
Trazes o pão que ganhaste
Com que teus filhos criaste
No fadário que arrostaste
Romeu Embaixador, nasceu em 1922
sábado, 21 de novembro de 2009
quinta-feira, 19 de novembro de 2009
Rafael Augusto Rodrigues
quarta-feira, 18 de novembro de 2009
Rafael Augusto Rodrigues

"O Comboio Era a Vapor"
O que hoje vos vou contar
Tem para mim muito valor
Porque comecei a trabalhar
Quando o Comboio era a vapor.
Na Estação, É dada a Partida...
Pondo-se logo em andamento,
Com Velocidade estabelecida
Até ao próximo afrouxamento.
Corre... Corre... Corre...
A sua missão é andar,
Atravessando Vales e Montes
Começando logo a Apitar
Ao aproximar-sa das Pontes.
Quando vai numa subida
Já andando lentamente
Preparando-se de seguida
Para uma nova pendente.
É vê-lo ganhar Velocidade
Rangendo, Chiando e apitando,
Para falar com verdade
Parece que vai galopando.
Isto era antigamente,
Com a Máquina a Vapor, Fumegando...
Lançando o fumo no ar
Parecendo, de vez em quando,
Ouvi-la a resfolgar.
Ou por vezes sussurrando...
Devagar, devagar, devagar,
Quando se vai aproximando
Da próxima Estação, pr'a parar.
Parando em obediência
À paragem estabelecida
Para cumprir sua missão
Sendo-lhe dada nova Partida,
Pelo Chefe da Estação.
Abalando de seguida
Dando sempre a mesma imagem
Quando se aproxima nova subida
Até à seguinte paragem.
Sempre ele vai apitando
Ouvindo-se lá do alto da Serra
Nos sons que vai lançando:
Pouca Terra... Pouca Terra... Pouca Terra...
Comboio que foste inventado
Para servir as Populações
Hoje és tão mal tratado
Sofrendo muitas contestaçoes.
E esta a tua imagem,
Do Comboio já Lendário
Sendo esta a Homenagem
Dum Antigo FERROVIÁRIO.
terça-feira, 17 de novembro de 2009
Rafael Augusto Rodrigues

"primeira carta escrita após ter chegado a Évora quando me fui apresentar no Quartel de Artilharia Ligeira Nº.1"
Quando entrei na Carruagem
Já o Comboio ia a andar
Passei por minha Casa
Vi minha MÃE a chorar.
Quando cheguei a Évora
Fui direitinho ao Quartel
Para despir o meu fato
E deixar de ser RAFAEL.
Ali me deram um papel
Com números, assim dizia:
És o Trezentos cinquenta e cinco
Da SEXTA BATARIA.
Depois de receber a FARDA
Com roupa de todo o tamanho
Fiz uma Trouxa com tudo
E fui logo tomar banho.
Depois de tomar o banho
E ficar bem lavado
Vesti a minha Farda
E então já era SOLDADO.
No outro Dia às Seis Horas
Lá estava tudo a pau
Preparados para beber
A CANECA do BACANAu.
O Rafael, nasceu em Moura, em 1923. Ferroviário, reformado, é uma figura muito popular no Pinhal Novo (e não só), terra onde reside há dezenas de anos, e onde continua a participar activamente na vida social e política. Para além de poeta,dedica-se à guarda de instrumentos de trabalho - que usou na sua vida profissional - os quais se encontram expostos no seu museu pessoal.
sábado, 14 de novembro de 2009
Domingos manuel Correia Lopes
Algas
Jardins desfolhados sem piedade
seres desabrigados sem sustento
ao ver enorme crueldade
evoco meu grito meu lamento.
Negros fantasmas esfomeados
ignorando tamanho mal
assim vivendo dos seus pecados
como se fosse tão natural.
Massacrando assim a natureza
um pouco deles próprios destruindo
pequeninos a imaginar tanta grandeza
vão sau própria imagem denegrindo.
É hora de dizer amigos basta!
e ensinar a quem vier atráz
já que a fome e a guerra se arrasta
deixai o fundo do mar em paz.
Domingos Lopes "Xoxinha", natural e residente em Sesimbra, nasceu em 1946. Tem apenas a 4ª. classe do Ensino Prímário
Jardins desfolhados sem piedade
seres desabrigados sem sustento
ao ver enorme crueldade
evoco meu grito meu lamento.
Negros fantasmas esfomeados
ignorando tamanho mal
assim vivendo dos seus pecados
como se fosse tão natural.
Massacrando assim a natureza
um pouco deles próprios destruindo
pequeninos a imaginar tanta grandeza
vão sau própria imagem denegrindo.
É hora de dizer amigos basta!
e ensinar a quem vier atráz
já que a fome e a guerra se arrasta
deixai o fundo do mar em paz.
Domingos Lopes "Xoxinha", natural e residente em Sesimbra, nasceu em 1946. Tem apenas a 4ª. classe do Ensino Prímário
quinta-feira, 12 de novembro de 2009
Florinda Maria Farinha Mata Garrafa
Primavera
Voltai Primavera com teu corpo morno
Encher Céus e Terra com brisa de côr
E com raios de sol fazer um adorno
Para mostrar ao mundo todo o teu explendor.
Em bandos de côr voltai andorinhas
Dando voz aos prados com seus chilreados
Sobrevoai os Céus já não estão sózinhas
Sulcando a terra já estão os arados.
Voltai borboletas colhendo o pólen
De cravos rubros e já germinados
Surgem malmequeres aqui e além
Em campos desertos mas já semeados.
Vem primavera em cor deslumbrante
Com teu corpo morno aquecer a rua
E o pescador faz-te sua amante
Quando vai pescar em noites de lua.
Voltai Primavera com teu corpo morno
Encher Céus e Terra com brisa de côr
E com raios de sol fazer um adorno
Para mostrar ao mundo todo o teu explendor.
Em bandos de côr voltai andorinhas
Dando voz aos prados com seus chilreados
Sobrevoai os Céus já não estão sózinhas
Sulcando a terra já estão os arados.
Voltai borboletas colhendo o pólen
De cravos rubros e já germinados
Surgem malmequeres aqui e além
Em campos desertos mas já semeados.
Vem primavera em cor deslumbrante
Com teu corpo morno aquecer a rua
E o pescador faz-te sua amante
Quando vai pescar em noites de lua.
sexta-feira, 6 de novembro de 2009
Florinda Maria Farinha Mata Garrafa
"Aos filhos da droga"
Mãe que sofreste ao teu filho parir
Não te arrependas de o ter feito nascer
Deitás-te ao mundo uma flor por abrir
Todo o seu mal foi não saber viver.
Foi uma flor que ao mundo veio pura
E que pela vida se viu desfolhada
Ele caminhando pela noite escura
Mas no fim da estrada há a madrugada
Mãe que sofreste ao teu filho parir
Dá-lhe o teu carinho e o teu amor
E no seu coração faz-lhe sentir
Que a vida é bela e não é só dor.
Foi vítima da droga essa flor
Mas teu filho, não deixou de o ser
Estende-lhe a mão ergue-o com amor
O amor é forte e há-de vencer.
Florinda, é natural de Sesimbra, nasceu em 1951, tem apenas a 4ª classe do ensino primário
Mãe que sofreste ao teu filho parir
Não te arrependas de o ter feito nascer
Deitás-te ao mundo uma flor por abrir
Todo o seu mal foi não saber viver.
Foi uma flor que ao mundo veio pura
E que pela vida se viu desfolhada
Ele caminhando pela noite escura
Mas no fim da estrada há a madrugada
Mãe que sofreste ao teu filho parir
Dá-lhe o teu carinho e o teu amor
E no seu coração faz-lhe sentir
Que a vida é bela e não é só dor.
Foi vítima da droga essa flor
Mas teu filho, não deixou de o ser
Estende-lhe a mão ergue-o com amor
O amor é forte e há-de vencer.
Florinda, é natural de Sesimbra, nasceu em 1951, tem apenas a 4ª classe do ensino primário
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