quarta-feira, 10 de outubro de 2012

Fernando André

Claro que errar é humano
Mas quem por sistema errar
Anda-se a si mesmo a enganar
E à sociedade a dar dano.

Em Gostava de ser poeta

quinta-feira, 4 de outubro de 2012

Fernando André

Quem me ensinou foi o Povo

Li livros de viva voz
Ao escutar com atenção
Histórias de meus avós
Que gravei no coração.

Fui ao povo a procurar
As coisas que mais dizia,
Pois por sabê-las ardia,
Para as poder divulgar.

Coisas que nele aprendi
Que conto à minha maneira
Numa métrica ligeira,
Do que ouvi, eis algo aqui.

Pretendo aqui transmitir
Do meu povo algum saber,
Que de tanta vez ouvir
Acabei por aprender.

Não sou cem por cento autor
Destas quadras que escrevi
Pois o seu sentido eu li
Do que o povo diz de cor.

Em Gostava de ser poeta

terça-feira, 2 de outubro de 2012

Fernando André

Homenagem a António Aleixo

Quero antes de mais nada
Neste meu livro deixar
Minha homenagem prestada
Ao poeta mais popular.

A Camões, via erudita
E a ti, via popular,
Não se pode comparar
De nenhum poeta a escrita.

Aleixo, poeta amigo,
Transmissor da voz do povo,
Deste ao povo um sabor novo
Sob o qual eu já me abrigo.

É a ti que eu devo, Aleixo,
A razão de eu escrever;
Comecei depois de ler
"Este livro que vos deixo"

Não o poderei negar
E sei bem que não o devo,
Que te estou a imitar,
Aleixo, no que escrevo.

Em Trás-os-Montes nasci;
Tu, algarvio nasceste;
Tal como tu me senti
Ligado ao que escreveste.

Aleixo, muito obrigado
Porque o caminho me abriste;
Fui por ti iluminado,
Tu de mestre me serviste.

Em Gostava de ser Poeta

domingo, 30 de setembro de 2012

António Aleixo é indiscutivelmente um dos maiores poetas populares portugueses. Utilizava as palavras de forma notável e, sem dúvida, com extrema facilidade. Deixou claramente expressa a sua elevada consciência de classe, o seu desprezo pela injustiça, pelas desigualdades sociais, pela ganância.
Estou profundamente convencido que, se fosse vivo no tempo presente, denunciaria com a sua mestria nos seus versos a dura realidade criada ao povo do seu país.

Acho uma moral ruim
Trazer o vulgo enganado:
Mandarem fazer assim
E eles fazerem assado.

quinta-feira, 27 de setembro de 2012

António Aleixo

Abusas do teu poder,
Puseste-me uma mordaça
P'ra eu não poder dizer
Quem fez a minha desgraça.

Não creio que penses bem
Ao querer que eu pense assim;
Porque creio que ninguém
Poderá pensar por mim.

Não me dêem mais desgostos
Porque sei raciocinar...
Só os burros estão dispostos
A sofrer sem protestar!

quarta-feira, 26 de setembro de 2012

António Aleixo

Tu que vives na grandeza,
Se calçasses e vestisses
Daquilo que produzisses,
Andavas nu, com certeza.

Tu andas cheio, eu vazio;
Tens à escolha o que quiseres.
Comes o melhor que eu crio,
Eu como o que tu não queres.

Quando morrermos já sei...
Tens padres missas e luzes;
Dobram os sinos, levas cruzes,
E eu... nem caixão levarei

Se andas comigo à pancada,
A Justiças comprarás...
Arranjas uma embrulhada,
Que vou preso e tu não vás.

sábado, 22 de setembro de 2012

António Aleixo

Há tantos burros mandando
Em homens de inteligência,
Que às vezes fico pensando
Que a burrice é uma ciência!

Metade do mundo come
À custa de outra metade;
Viver com honestidade
É abrir portas à fome...

A fartura ao pé da fome,
Raramente se dá bem:
Quase sempre quem tem come
À custa de quem não tem!

sexta-feira, 21 de setembro de 2012


António Aleixo

Esta mascarada enorme
Com que o mundo nos aldraba,
Dura enquanto o povo dorme,
Quando ele acordar, acaba.

(Tão actual o Gr António Aleixo!)

domingo, 9 de setembro de 2012