domingo, 12 de dezembro de 2010

Joaquim Vicente Vedor Paulino

Amigo

Amigo.
Em ti utilizo
a palavra na sua verdadeira
acepção,
és muito mais que um amigo,
és um irmão.
És um emaranhado
de virtudes
e qualidades,
adjectivos esses
que são
realidades.
Tens sempre na vida,
um sorriso, um apoio,
uma mão,
que dás gratuitamente,
sem contrapartida
e sem razão.
És puro,
és inocente,
és seguro
e permanebte.
És o amigo
que toda a gente
gostaria de ter,
o amigo que na vida,
ninguém consegue esquecer.

És sincero,
és verdadeiro
e na aflição
o primeiro
quando apoias,
quem precisa,
com tua opinião,
nessa "força" que te vem
de dentro do coração.
És quase uma utopia
e por mais que te observe,
nunca hei-de ver em ti,
maldade ou hipocrisia.
Espero que a vida
me poupe,
nunca me dê o castigo,
de algum dia me roubar
este verdadeiro
amigo.

sábado, 11 de dezembro de 2010

Joaquim Vicente Vedor Paulino

Quando eu morrer

Quando eu morrer não quero choros,
nem gritos desesperados.
Não quero luto, nem flores,
nem rostos amargurados.

Quero sorrisos bonitos,
gostava de ter enfim,
a famílias e os amigos,
num último adeus para mim

Gostava que alguém lesse, 
algo da minha poesia
e que houvesse no momento
qualquer coisa de magia.

Alguém falasse de mim,
não usando hipocrisia,
pois as pessoas na morte,
recorrem à fantasia

Gostava de ser cremado,
sentir o corpo a arder
e das cinzas da cremação,
ver o espírito renascer.

Gostaria de sentir,
que a vida não foi em vão,
que ao "passar" toquei também,
um ou outro coração.

Toda esta divagação,
não terá razão de ser,
se eu chegar a ser velho,
na altura de morrer.

Aí haverá alívio,
"o melhor aconteceu;
era um velho simpático,
graças a Deus já morreu."

E não haverá poesia,
nem lágrimas, nem sofrer,
um corpo jogado à terra,
para nela apodrecer.

Natural de Ermidas do Sado, onde nasceu em 1956, filho do poeta popular alentejano António Paulino, reside na Baixa da Banheira. É profissional de contabilidade.

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

Joaquim Vicente Vedor Paulino

Desencanto

Pelas ruas deambulando
vejo pessoas chorando,
por um pedaço de pão.
O povo sofre baixinho,
sempre à espera de um carinho,
que lhe alegre o coração.

Lá em cima no "poder"
ninguém vê o seu sofrer
e nem a sua aflição.
Vivem orgias secretas
e as suas descobertas
na mesa não põem pão.

Vejo olhares desencantados,
passos incertos, desordenados,
que o chão tenta acarinhar.
Alguns, com almas feridas,
põem termo às suas Vidas,
para assim as melhorar.

Tantas promessas falhadas,
tantas frases decoradas,
tantos discursos perdidos.
Nos olhos já não há esperança
e nem sequer a bonança,
dos bons tempos esquecidos.

O povo é manipulado,
dócilmente bajulado,
em tempo de eleições.
Mas as coisas pouco mudam
e as promessas se desnudam,
em consequentes leilões.

Nas suas leviandades,
vendem-se identidades,
assegurando o poder.
Tudo fazem por dinheiro
e este nosso povo ordeiro
que não pára de sofrer.

Talvez um dia, quem sabe,
o nosso tormento acabe
na mais bonita ilusão
e o povo possa acordar,
para assim poder cantar,
uma bonita canção.

(Este poema, editado em 1997, está hoje pleno de actualidade!)

Por do sol visto do terminal ferrofluvial do Barreiro

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Jacinto José Carlos Guerreiro

Vaidade

O cantar alentejano
tem o seu quê de vaidoso
ao juntar na mesma moda
Homem velho e rapaz novo

Homem velho rapaz novo
a cantar de mano a mano
tem o seu quê de vaidoso
o cantar alentejano

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Jacinto José Carlos Guerreiro

Relíquias

Na ex-tasca do Arranha
Uma casinha modesta
Fica a capela do fado
Canta-se o fado com gana
Refúgio de gente honesta
A lembrar tempo passado

Quando a noite se vislumbra
Fica a capela em penumbra
Ao gosto de cantador
E em sestilhas magoadas
Recordam-se antiga quadras
Restos de outros amores

Peixe frito e bacalhau
Um sorriso de mulher
Esta vida é mesmo assim
Vinho a dar com um pau
Regalo para um qualquer
Ouvir cantar o Joaquim

Milhentas recordações
Perfiladas lado a lado
Lembram passado e presente
São elas os guardiões
P'ra que a capela do fado
Seja fado p'ra toda a gente

Aldrabas e batentes

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Jacinto José Carlos Guerreiro

Negrume

Vestiu-se de pássaro negro
E chegou junto aos pombais
Levou o Victor Ventura, o velho Brito
E outros mais...

Há quem lhe chame Mãe Negra
Mas de um negro que só lembra
Noite treva e escuridão
Se é mãe, é mãe de desgraça
Pois sempre que ela passa
Semeia desolação

Ó morte! maldita morte!
Se tu pensas conseguir
Destruir tanta amizade
Não te auguro qualquer sorte
Porque os pombos ao voar
Trazem e levam saudade.

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Jacinto José Carlos Guerreiro

Distracção

Uma rã
Muito lampeira
Diz p'ra um sapo vaidoso
Arranja-me lá maneira
De ter um futuro airoso

Apanhado de surpresa
Pobre sapo presunçoso
Diz com alguma incerteza
Que o futuro está manhoso

E, enquanto o mundo acordava
Pelo raiar da manhã
Uma cobra que passava
Come o sapo e papa a rã

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Jacinto José Carlos Guerreiro

Guinéus

Mamadu Baldé
Mamadu Jaló
Um é filho de mãe fula
Outro de pai bijagó

Mamadu que foi à guerra
Lá na terra da Guiné
Com um outro Mamadu
Que era filho de papel

Mamadu comeu Bianda
E dormiu junto ao Mansôa
Namorou filha de Tander
E sonhou vir a Lisboa

Mas num caminho apertado
Mamadu tem de passar
Barafusta vai zangado
Não vê fio de tropeçar

Nota: fula, bijagó e papel, são três das muitas etnias da Guiné