Oliveira, a luz divina
o trigo simboliza o pão
alecrim força a saúde
paz e amor no cotração.
(Da poesia popular alentejana)
sexta-feira, 9 de dezembro de 2016
sexta-feira, 15 de abril de 2016
Um regresso...
Encerrei as publicações neste blog, faz já muito tempo. Hoje, ocasionalmente passei por cá e constatei que continua a ser visitado por algumas pessoas, espalhadas um pouco por todo o mundo. Agradou-me o facto. Admito, por isso, voltar a publicar no rimapontocom. Para isso terei de pesquisar e seleccionar material.
quinta-feira, 4 de julho de 2013
Encerramento
Dia 20 de Maio, é a data em que publiquei a última postagem no rimapontocom. Nessa data não previa que o blog chegara ao fim. Para que conste, faço hoje o encerramento formal.
segunda-feira, 20 de maio de 2013
Arminda Gonçalves
Se Fosse Possível
Se eu pudesse vencer
os demónios que passam num cortejo
de risos e de gritos;
se eu pudesse viver
sem medo, sem assombros, sem desejo
de ressurgir os sonhos infinitos; os sonhos que em mim trago
emersos e insepultos
quais folhas mortas a boiar num lago!
(...)
Em chama reacendida
Se eu pudesse vencer
os demónios que passam num cortejo
de risos e de gritos;
se eu pudesse viver
sem medo, sem assombros, sem desejo
de ressurgir os sonhos infinitos; os sonhos que em mim trago
emersos e insepultos
quais folhas mortas a boiar num lago!
(...)
Em chama reacendida
terça-feira, 23 de abril de 2013
Arminda Gonçalves
No limiar da noite
Um escuro crepúsc'lo. São, agora,
quase pretas as velas das fragatas
e os navios, no cais, a esta hora,
guardam no fundo bojo as mais abstractas
e inconcebíveis ânsias. Apavora
a cor das águas. Fosforecem pratas
e ourescentes sinais ao longe. E, embora,
a noite surja, as sombras são exactas.
Marcam no espaço riscos geométricos
as gaivotas. As duas largas margens
do rio são exóticas paisagens.
Passam na rua lívida os eléctricos
cheios de gente. E a noite é como um grito
tumultuoso de ânsia e de infinito.
Em chama reacendida
Um escuro crepúsc'lo. São, agora,
quase pretas as velas das fragatas
e os navios, no cais, a esta hora,
guardam no fundo bojo as mais abstractas
e inconcebíveis ânsias. Apavora
a cor das águas. Fosforecem pratas
e ourescentes sinais ao longe. E, embora,
a noite surja, as sombras são exactas.
Marcam no espaço riscos geométricos
as gaivotas. As duas largas margens
do rio são exóticas paisagens.
Passam na rua lívida os eléctricos
cheios de gente. E a noite é como um grito
tumultuoso de ânsia e de infinito.
Em chama reacendida
sábado, 20 de abril de 2013
Arminda Gonçalves
Ainda...
Por mágica fortuna me transporto
ao rio irado em cuja margem suave
encontro o meu porto
e abri a asas de incansável ave.
O fascínio de então, a chama viva
que eu própria era, e aquele olhar aberto
à paisagem anímica e festiva,
como hoje estão de mim tão longe e perto!
O mesmo apelo à vida ainda sinto
na perturbante seiva que percorre
as minhas veias. Bebo o mesmo absinto...
e a minha sede não se farta ou morre.
Ainda aquela origem milagrosa
no frémito da voz que me aturdiu!
E não murchou a flor maravilhosa
que a Primavera abriu!
Parou o Tempo. O espírito persiste,
fascinado a adorar a juventude.
O mesmo amor, a mesma fé subsiste
na mesma plenitude!
Em chama perdida
Por mágica fortuna me transporto
ao rio irado em cuja margem suave
encontro o meu porto
e abri a asas de incansável ave.
O fascínio de então, a chama viva
que eu própria era, e aquele olhar aberto
à paisagem anímica e festiva,
como hoje estão de mim tão longe e perto!
O mesmo apelo à vida ainda sinto
na perturbante seiva que percorre
as minhas veias. Bebo o mesmo absinto...
e a minha sede não se farta ou morre.
Ainda aquela origem milagrosa
no frémito da voz que me aturdiu!
E não murchou a flor maravilhosa
que a Primavera abriu!
Parou o Tempo. O espírito persiste,
fascinado a adorar a juventude.
O mesmo amor, a mesma fé subsiste
na mesma plenitude!
Em chama perdida
sexta-feira, 19 de abril de 2013
Donabela Guerreiro
Momentos - III
Um dia nascerá um sol novo
que dará mais brilho
ao vermelho das papoilas
que desabrocham livremente
nos campos doirados de trigo.
Haverá alegria e pão,
uma nova música nascerá.
Os homens comunicarão nesta linguagem
e as crianças brincarão às rodas,
num prado verde de esperança
e então, todos de mãos dadas
cantaremos o futuro
numa roda do tamanho do mundo.
Em A Mulher as flores o futuro
Um dia nascerá um sol novo
que dará mais brilho
ao vermelho das papoilas
que desabrocham livremente
nos campos doirados de trigo.
Haverá alegria e pão,
uma nova música nascerá.
Os homens comunicarão nesta linguagem
e as crianças brincarão às rodas,
num prado verde de esperança
e então, todos de mãos dadas
cantaremos o futuro
numa roda do tamanho do mundo.
Em A Mulher as flores o futuro
quinta-feira, 18 de abril de 2013
Lília da Silva
Do chão se levanta
Este odor a terra molhada
A fundir-se com a violência
Das chuvas
Nas vidraças quebradas.
Em A Mulher as flores o futuro
Este odor a terra molhada
A fundir-se com a violência
Das chuvas
Nas vidraças quebradas.
Em A Mulher as flores o futuro
quarta-feira, 17 de abril de 2013
Lília da Silva
Fusão
Gota a gota, hora a hora, uma fonte
Goteja, pródigas, as suas lágrimas.
Amor é palavra líquida que sacia
Ainda que não saiba quem dela vai beber.
Amor é não sentir o peso
Das asas da ave mais próxima,
É palavra na qual
Com alegria se morre.
E, como uma chama consome a solidão,
Das cinzas frias a alegria brota
Nas entranhas de uma tocha interior.
É um sonho exacto,
Sonho de ver parar o mundo
E de pedir um sol. Hoje, só hoje.
Roubei do sol pela manhã
E do luar pela madrugada
A luz que trazia toda nas minhas mãos.
Quando fui deixá-la nos teus olhos
Tinha-se escapado por entre meus dedos.
Estou vazia.
Em A Mulher as flores o futuro
Gota a gota, hora a hora, uma fonte
Goteja, pródigas, as suas lágrimas.
Amor é palavra líquida que sacia
Ainda que não saiba quem dela vai beber.
Amor é não sentir o peso
Das asas da ave mais próxima,
É palavra na qual
Com alegria se morre.
E, como uma chama consome a solidão,
Das cinzas frias a alegria brota
Nas entranhas de uma tocha interior.
É um sonho exacto,
Sonho de ver parar o mundo
E de pedir um sol. Hoje, só hoje.
Roubei do sol pela manhã
E do luar pela madrugada
A luz que trazia toda nas minhas mãos.
Quando fui deixá-la nos teus olhos
Tinha-se escapado por entre meus dedos.
Estou vazia.
Em A Mulher as flores o futuro
segunda-feira, 15 de abril de 2013
Das danças dos "mastros"
Noutro tempo tinha eu
Nesta rua uma cadeira
Onde assentavam meus olhos
Agora vão de carreira!
Nesta rua uma cadeira
Onde assentavam meus olhos
Agora vão de carreira!
"Para bailar o rapaz e a rapariga colocavam-se lado a lado e davam as mãos, cruzando os braços. Uma vez formado o par, entravam numa roda de pares à volta do "mastro". Cantavam em coro à medida que rodavam lentamente, sem preocupação de ritmo. Uma voz a solo, masculina ou feminina, entoava uma quadra que podia ser, ou de elogio à namorada, ou de brincadeira, de provocação ou até saudosista."
Assim, Hélder Mendes, natural de Ourique, descreve a tradição popular do "mastro", na região de Ourique, nos Cadernos Culturais d'Ourique, edição de 2012.
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