Pedro Mestre from Tiago Pereira on Vimeo.
>sábado, 3 de julho de 2010
terça-feira, 29 de junho de 2010
Maria José Branco de Assunção

Só canto a ti Alcochete
Eu só canto à minha terra
À sua história imortal
Minh'Alcochete velhinha
Tu foste berço real
Dom Manuel, aqui nasceu
Rei que foi o "venturoso"
Tu em beleza, és rica
Teu passado glorioso
Teus monumentos sagrados
Revelam tanta nobreza
És um mimoso cantinho
Tens alma, bem portuguesa
El-Rei Dom Manuel Primeiro
Desta Alcochete velhinha
Recorda ao mundo inteiro
Qu'és terra mãe e rainha.
Teu passado glorioso
quarta-feira, 23 de junho de 2010
Maria José Branco de Assunção
Alcochete terra linda
Alcochete terra linda
Sobre o Tejo debruçada
A sua beleza infinda
Merece bem ser cantada
É beijada pelo Tejo
E tem campos verdejantes
Noutro tempo teve ensejo
Ser terra de navegantes
Aqui vinham caravelas
à volta das descobertas
E a maruja vinha nelas
Pagar ao santo as ofertas
Hoje os homens outros são
Mas o sangue o mesmo vale
Uns trabalham no carvão
Outros trabalham, no sal
Descalços de pé e perna
Junto às águas cristalinas
Assim dão a vida inteira
à riqueza das salinas
Gente do campo e do mar
Cada qual tem seu valor
Mas são iguais a lutar
Mareante ou lavrador
Não sabem causar um dano
Seja embora desgraçado
Porque ser alcochetano
É ser bom, é ser honrado
Alcochete, minha terra
Tem brasão e galhardete
Seja na paz ou na guerra
Honro-me em ser de Alcochete
(poema escrito em 1940)
Alcochete terra linda
Sobre o Tejo debruçada
A sua beleza infinda
Merece bem ser cantada
É beijada pelo Tejo
E tem campos verdejantes
Noutro tempo teve ensejo
Ser terra de navegantes
Aqui vinham caravelas
à volta das descobertas
E a maruja vinha nelas
Pagar ao santo as ofertas
Hoje os homens outros são
Mas o sangue o mesmo vale
Uns trabalham no carvão
Outros trabalham, no sal
Descalços de pé e perna
Junto às águas cristalinas
Assim dão a vida inteira
à riqueza das salinas
Gente do campo e do mar
Cada qual tem seu valor
Mas são iguais a lutar
Mareante ou lavrador
Não sabem causar um dano
Seja embora desgraçado
Porque ser alcochetano
É ser bom, é ser honrado
Alcochete, minha terra
Tem brasão e galhardete
Seja na paz ou na guerra
Honro-me em ser de Alcochete
(poema escrito em 1940)
Maria José, nasceu em Alcochete em 1920. Foi funcionária administrativa do Registo Civil em Alcochete e Lisboa. A sua terra natal é um permanente motivo de inspiração.
domingo, 20 de junho de 2010
Augusto António Bico
Você lamenta eu lamento
Qual de nós tem mais razão
Você gastou sem proveito
Eu perdi dinheiro e patrão
Você grita e com certeza
Que tem razão para gritar
Gastou tornou a gastar
E perdeu toda a despesa
Mas falando com franqueza
Os engenheiros de talento
Têm tido desmoronamento
Em obras de tal qualidade
Por causa da profundidade
Você lamenta eu lamento
Não podia adivinhar
Se o terreno era firme
É um estudo sublime
Onde não posso chegar
Aprendi a trabalhar
Trabalho com precisão
É de onde me vem o pão
Com que sustento os meus filhos
Mas vim de lá sem cadilhos
Qual de nós tem mais razão
O Sr Tavares com certeza
Que já tem perdido mais
Como tem muitos cabedais
Não diminui a riqueza
Essa grande despesa
Que diz fazer por meu respeito
Quando há qualquer desfeito
Recai sempre sobre o pequeno
Por causa do seu terreno
Você gastou sem proveito
Quem ficou pior fui eu
Fui o mais prejudicado
Vim com o corpo bem ralado
Sem um real de meu
Tudo ali me escarneceu
Até o mais rude ganhão
A minha aptidão
Só ali ficou perdida
E se não perdi a vida
Perdi dinheiro e patrão
Augusto Bico, natural de Alcácer do Sal, nasceu em 1856 e faleceu em 1934, sendo carpinteiro de profissão.
Qual de nós tem mais razão
Você gastou sem proveito
Eu perdi dinheiro e patrão
Você grita e com certeza
Que tem razão para gritar
Gastou tornou a gastar
E perdeu toda a despesa
Mas falando com franqueza
Os engenheiros de talento
Têm tido desmoronamento
Em obras de tal qualidade
Por causa da profundidade
Você lamenta eu lamento
Não podia adivinhar
Se o terreno era firme
É um estudo sublime
Onde não posso chegar
Aprendi a trabalhar
Trabalho com precisão
É de onde me vem o pão
Com que sustento os meus filhos
Mas vim de lá sem cadilhos
Qual de nós tem mais razão
O Sr Tavares com certeza
Que já tem perdido mais
Como tem muitos cabedais
Não diminui a riqueza
Essa grande despesa
Que diz fazer por meu respeito
Quando há qualquer desfeito
Recai sempre sobre o pequeno
Por causa do seu terreno
Você gastou sem proveito
Quem ficou pior fui eu
Fui o mais prejudicado
Vim com o corpo bem ralado
Sem um real de meu
Tudo ali me escarneceu
Até o mais rude ganhão
A minha aptidão
Só ali ficou perdida
E se não perdi a vida
Perdi dinheiro e patrão
Augusto Bico, natural de Alcácer do Sal, nasceu em 1856 e faleceu em 1934, sendo carpinteiro de profissão.
quarta-feira, 16 de junho de 2010
João Falé Baião

O meu cantar é falando
Só falando sei cantar
A minha voz desafina
Não a posso controlar
Gosto de ouvir cantar bem
Quando a sua voz ajuda
E quando o som se não muda
No peito de quem o tem
Ouço porém cantar alguém
P'ra sua mágoa ir espalhando
Dizem muita poisa cantando
E tudo lhe fica bonito
Por isso digo e repito
O meu cantar é falando
Quando a voz não nos ajuda
Ninguém pode cantar bem
O dom é de quem o tem
Senão logo a coisa muda
Todo aquele que canta e estuda
Também tem que bem pensar
Para fundamento arranjar
Na sua bonita canção
É só esta a razão
Que eu só falando sei cantar
O fundamento no cante
Tem muito que se lhe diga
Cantar bem uma cantiga
Não é para toda a gente
O prazer é de quem sente
Mesmo ao som da concertina
A sua frase se aproxima
Aí define o seu saber
Isso não posso eu fazer
Que a minha voz desafina
Mesmo que queira ser bom
Quando a voz não é brilhante
Logo mostra a toda a gente
Que nada vale o seu som
Destravia o acordeom
E nada pode rimar
Nunca poderá acabar
Tem a voz sempre no fim
Assim me acontece a mim
Não a posso controlar
O João Falé Baião nasceu em 1920 em São Marcos do Campo/Reguengos de Monsaraz, tendo estabalecido residência no Escoural. Não frequentou a escola, aprendeu a ler e a escrever com familiares seus. A sua profissão sempre foi trabalhador rural. Faz décimas desde os 15 anos.
terça-feira, 15 de junho de 2010
José Augusto Ferrão
Nota prévia: Quando criei o rimapontocom, em 19/10/09, utilizei o mote deste poema, por o considerar lapidar de uma filosofia de vida. JAF expressa nele uma sabedoria respeitável. Por essa razão é hoje o seu poema inserido aqui integralmente.
Diz-me agora aqui burguês
Quem é que tanto te deu
Quando tu vieste ao mundo
Vieste nu como eu
Caíste entre almofadinhas
Nasceste como um tesouro
Teus pais deram-te um berço de oiro
E boas roupas quentinhas
Eu tive humildes palhinhas
A minha sorte talvez
Eu não vi uma só vez
Como tu tanta riqueza
De onde veio a tua nobreza
Diz-me agora aqui burguês
Tantas herdades florindo
Logo ao nascer tu tiveste
Mas do sítio de onde vieste
Elas não podiam ter vindo
Embora dinheiro possuindo
Tua mãe ao ter-te sofreu
Mas a minha mais padeceu
Que a miséria traz sofrimento
Mas se és rico avarento
Quem é que tanto te deu
Esse tesouro afamado
Quando ao mundo chegaste
Já juntinho encontraste
Pelo teu pai arranjado
Mas lembra-te que foi roubado
A quem com esforço profundo
Cavava a terra sem fundo
E lamentava o seu mal
O teu pai veio tal e qual
Como tu vieste ao mundo
És rico e vives contente
A ti não te falta nada
Tens uma casa recheada
Devias ser indulgente
Repartires com toda a gente
Que o que tens lá não é teu
É de quem o celeiro encheu
Regando a terra com suor
Enquanto tu explorador
Vieste nu como eu
segunda-feira, 14 de junho de 2010
Horácio da Silva Parreira
Já dormi na tua cama
Já o teu rosto beijei
Já ganhei os teus carinhos
E outras coisas que eu cá sei
Foi chorando que nasci
Tinha um ano e gatinhava
Tinha dois eu já andava
E tinha três adoeci
Não sei como eu não morri
Se ainda era de mama
Aos quatro já tinha dama
E aos cinco estou bem lembrado
Mesmo sem ter abanado
Já dormi na tua cama
Aos seis anos ia à missa
Pela mão da minha mãe
Aos sete lembra-me bem
Que tu eras minha derriça
Metias muita cobiça
Quando os oito completei
Pois aos nove eu ateimei
Que te havia de namorar
Aos dez me posso gabar
Já o teu rosto beijei
Quando os onze anos fiz
Já sabia o que era amores
E alguns sérios calores
Que me faziam feliz
Pois aos treze eu então quis
Que nós fossemos amiguinhos
Aos catorze alguns beijinhos
E foi isso à boa mente
Pois aos quinze verdadeiramente
Já logrei os teus carinhos
Quando dezasseis anos tinha
Te disse mais uma vez
E aos dezassete talvez
Que viesses a ser minha
Aos dezoito cá me entretinha
Com outros amores que arranjei
Aos dezanove me voltei
A dar-te toda a atenção
E aos vinte apertei-te a mão
E outras coisas que eu cá sei
O Horácio Parreira nasceu, no Escoural e aqui sempre residiu, em 1915. Trabalhador rural de profissão, não sabia ler nem escrever.
Já o teu rosto beijei
Já ganhei os teus carinhos
E outras coisas que eu cá sei
Foi chorando que nasci
Tinha um ano e gatinhava
Tinha dois eu já andava
E tinha três adoeci
Não sei como eu não morri
Se ainda era de mama
Aos quatro já tinha dama
E aos cinco estou bem lembrado
Mesmo sem ter abanado
Já dormi na tua cama
Aos seis anos ia à missa
Pela mão da minha mãe
Aos sete lembra-me bem
Que tu eras minha derriça
Metias muita cobiça
Quando os oito completei
Pois aos nove eu ateimei
Que te havia de namorar
Aos dez me posso gabar
Já o teu rosto beijei
Quando os onze anos fiz
Já sabia o que era amores
E alguns sérios calores
Que me faziam feliz
Pois aos treze eu então quis
Que nós fossemos amiguinhos
Aos catorze alguns beijinhos
E foi isso à boa mente
Pois aos quinze verdadeiramente
Já logrei os teus carinhos
Quando dezasseis anos tinha
Te disse mais uma vez
E aos dezassete talvez
Que viesses a ser minha
Aos dezoito cá me entretinha
Com outros amores que arranjei
Aos dezanove me voltei
A dar-te toda a atenção
E aos vinte apertei-te a mão
E outras coisas que eu cá sei
O Horácio Parreira nasceu, no Escoural e aqui sempre residiu, em 1915. Trabalhador rural de profissão, não sabia ler nem escrever.
domingo, 13 de junho de 2010
Esmeraldina Pinto
Quadras dedicadas ao crime de Vale de Nobre
A província alentejana
Vive em grande conflito
A Guarda Republicana
Causou um grande delito
É um jovem camarada
E outro de mais idade
que mataram à rajada
No lugar de certa herdade
Eram homens muito honrados
Que ganhavam o seu pão
Que foram martirizados
E mataram à traição
Mataram os desgraçados
Sem motivo nem razão
Jamais serão perdoados
Pelo povo da nação
Foi coisa premeditada
É o que toda a gente diz
A cena mais revoltada
Que se deu neste país
Viam-se braços no ar
E gritos de aflição
Via-se o povo a chorar
Que cortava o coração
Quando os amigos correram
Para salvar seus camaradas
Viram logo que morreram
No meio de tantas rajadas
Gritaram desesperados
Sem saber o que fazer
Pois foram ameaçados
Que também iam morrer
Exigimos o castigo
A esses grandes malvados
Mataram nossos amigos
No trabalho fatigados
O latifundiário sorridente
Viu-se na televisão
Parecendo estar contente
Ao ver a nossa aflição
Onde estão os cravos de Abril
Onde está a liberdade
Assassinos há muitos mil
Sem responsabilidade
Mas desta vez são punidos
Isso posso afiançar
O povo está bem unido
Os braços não vai cruzar
Assim a luta continua
Doa lá a quem doer
Minha vontade é a tua
Nós havemos de vencer
A província alentejana
Vive em grande conflito
A Guarda Republicana
Causou um grande delito
É um jovem camarada
E outro de mais idade
que mataram à rajada
No lugar de certa herdade
Eram homens muito honrados
Que ganhavam o seu pão
Que foram martirizados
E mataram à traição
Mataram os desgraçados
Sem motivo nem razão
Jamais serão perdoados
Pelo povo da nação
Foi coisa premeditada
É o que toda a gente diz
A cena mais revoltada
Que se deu neste país
Viam-se braços no ar
E gritos de aflição
Via-se o povo a chorar
Que cortava o coração
Quando os amigos correram
Para salvar seus camaradas
Viram logo que morreram
No meio de tantas rajadas
Gritaram desesperados
Sem saber o que fazer
Pois foram ameaçados
Que também iam morrer
Exigimos o castigo
A esses grandes malvados
Mataram nossos amigos
No trabalho fatigados
O latifundiário sorridente
Viu-se na televisão
Parecendo estar contente
Ao ver a nossa aflição
Onde estão os cravos de Abril
Onde está a liberdade
Assassinos há muitos mil
Sem responsabilidade
Mas desta vez são punidos
Isso posso afiançar
O povo está bem unido
Os braços não vai cruzar
Assim a luta continua
Doa lá a quem doer
Minha vontade é a tua
Nós havemos de vencer
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